5 dicas de planejamento financeiro para 2018

 “Para cada dez moedas que colocarem em suas bolsas, não retirem para uso próprio mais do que nove. A bolsa começará a ficar estufada, e seu peso cada vez maior será uma fonte de prazer para as suas mãos e uma fonte de bem-estar para as almas.” (Arkad, em “O homem mais rico da Babilônia”)

Estamos chegando ao final de mais um ano, é hora de começar a pensar no planejamento financeiro anual para 2018, tendo como referência tudo o que você fez em 2017.

Segue 5 dicas de planejamento financeiro para 2018:

  1. Avalie como foi seu 2017 no âmbito financeiro.

Não é preciso dizer muito mais sobre a importância de estipular objetivos financeiros. Eles funcionam como verdadeiras “bússolas”, que nos orientam sobre como agir em relação ao dinheiro, num período predeterminado de tempo, nos dando as balizas necessárias para que consigamos atingir todos os nossos objetivos não financeiros com os investimentos de caráter financeiro.

A reflexão é: passou 11 meses do ano, tendo apenas mais o mês de dezembro, a quantas anda suas finanças?

Se você estimar que a maioria das suas metas financeiras estipuladas para o ano de 2017 será cumprida, você está não só de parabéns, mas também ganhará uma dose extra de confiança para estipular objetivos financeiros ainda mais ousados para o ano de 2018.

E esse é um dos grandes benefícios de se definir – e cumprir – metas financeiras: você ganha motivação e ânimo para continuar evoluindo. Você indiscutivelmente ganha poder, já que prova para si mesmo que é capaz de cumprir os acordos consigo mesmo.

E se você não tiver cumprido a maioria dessas metas?

É hora de repensar sua estratégia, e, principalmente, examinar os motivos pelos quais deixou de cumpri-las. O maior inimigo da dificuldade das pessoas de terem uma vida financeira equilibrada não é a inflação, não é o governo, não é o patrão, não é a crise – embora todos eles colaborem para dificultar o cumprimento das metas financeiras.

Os maiores inimigos são os hábitos ruins de consumo e a falta de educação financeira. Ou seja, os maiores inimigos estão centrados dentro do indivíduo, e não fora dele.

Tudo começa na dificuldade de poupar, de fazer sobrar dinheiro no final do mês, de não ter dívidas. O ego quase sempre acaba falando mais alto, e tais pessoas têm enorme dificuldade de realizarem atos triviais e muito simples, como, por exemplo, fazer um downgrade de uma conta bancária de “grife” para o Pacote de Serviços Essenciais. Outros hábitos ruins de consumo envolvem sempre péssimas escolhas financeiras: trocar de carro a cada 3 anos, comprar passagens aéreas só porque está em promoção, comprar coisas materiais para suprir carências emocionais etc.

Além disso, a falta de educação financeira também pesa: quem tem, por exemplo, 100% do capital investido acumulado em caderneta de poupança, está deixando de fazer o dinheiro trabalhar mais, já que uma carteira diversificada em diferentes classes de ativos – renda fixa, ações, fundos imobiliários, câmbio (para quem gosta), fundos multimercados etc. – tende a produzir muito mais retornos do que alocar todo o investimento em apenas uma classe de ativos.

  1. Estipule quanto gastar no ano de 2018, com base na estimativa de gastos de 2017.

Se você tiver uma planilha de orçamento doméstico, na qual pode ser baixada em nosso blog, certamente já sabe qual é a sua média de gastos mensais até novembro: basta dividir o total de gastos realizados até aqui por 11. Apesar de o último mês do ano ser marcado por gastos extras com festas de final de ano, a média de gastos do último mês não vai fugir muito do padrão até agora observado.

Então, basta você pegar a média do ano até aqui, e multiplicar essa média por 12: esse será sua projeção de gasto anualizado de 2017, sujeita ainda a confirmação.

Por exemplo, se você tiver tido, nos 11 primeiros meses do ano de 2017, um gasto mensal médio de R$ 5 mil (totalizando uma despesa anual geral de R$ 55 mil), é bem provável que seu gasto anualizado desse ano fique em torno de R$ 60 mil.

Qual é o objetivo aqui?

É você lançar um desafio a si mesmo: ter um gasto anualizado, em 2018, inferior a esses R$ 60 mil. Esse é o objetivo: que o valor total dos gastos em 2018 seja inferior ao de 2017, o que é tanto mais importante quanto menor for a sua perspectiva de aumento salarial, pois, por óbvio, é querer cometer suicídio financeiro aumentar os gastos se você não tiver um aumento de renda ativa.

É certo que a inflação trabalha contra você, na medida em que os preços dos produtos e serviços tendem a ficar mais caros a cada ano que passa.

Contudo, se você parar para analisar seus gastos dos últimos 3, 4 ou 5 anos, é provável que o aumento de suas despesas não tenham tanta relação com os aumentos de preços, mas sim com o acréscimo de novos gastos. Por exemplo, num determinado ano, você pode ter viajado somente uma vez para o exterior mas, no ano seguinte, você extrapolou e fez 5 viagens para o exterior. Num determinado ano você resolveu fazer uma reforma na sua casa, mas não se programou para isso. Num determinado ano você resolveu comprar um carro novo, sem fazer a devida provisão financeira.

São esses grandes gastos que “pegam”: a inflação, por si própria, tem um efeito pouco relevante, se o que você mais faz de um ano para outro é aumentar o padrão de consumo, com novos e frequentes gastos, que ocorrem principalmente a cada novo aumento de renda salarial.

A dica, portanto, é moderar as despesas, guardar o escorpião no bolso, e não aumentar tanto os gastos, principalmente aqueles sobre os quais você em uma certa margem de flexibilidade para optar entre gastar e não gastar, como viagens, reforma de casa, eletroeletrônicos e, principalmente, carros.

E isso nos leva ao terceiro ponto desse texto.

  1. Assuma o compromisso de investir 100% das receitas salariais extras

As “receitas salariais extras” leia-se tudo o que vier a mais a título de contraprestação pelo trabalho: gratificações, horas extras, adicional noturno, terço de férias, décimo terceiro etc.

Você pode até achar estranho no começo, às vezes até se perguntando: “mas como assim? Eu não tenho direito de usufruir do dinheiro do trabalho para coisas para mim?”

É claro que tem, mas isso tem que ser feito dentro das suas possibilidades financeiras, e a melhor forma de fazer isso é também incluindo-as no seu planejamento financeiro mensal.

Tudo isso ainda tem um motivo de fundo da mais alta relevância: é que as verbas salariais extras não são incorporadas na aposentadoria (com exceção do décimo terceiro).

Isto é, as gratificações, horas extras, PLRs e demais bônus salariais não entram no cálculo dos proventos.

Assim, é de suma importância você encontrar um meio de adaptar o seu padrão de vida para caber dentro do seu salário, e não o contrário.

E se o que você ganhar – a sua remuneração padrão, sem contar os acréscimos – for insuficiente, está na hora de mudar de profissão ou de trabalho, para um cujo salário normal seja compatível com seu nível de gastos.

O que não dá, em hipótese alguma, é você se habituar com um padrão de vida em que gasta mais do que ganha, pois esse é o caminho mais certo para você se arruinar financeiramente, com péssimas consequências para a sua própria saúde física e mental.

Investir 100% das receitas salariais extras lhe dará não só tranquilidade da perspectiva dos gastos, mas também produz um importante efeito no âmbito dos investimentos, o que nos leva ao quarto ponto…

  1. Garanta o acesso a investimentos melhores

Com exceção do Tesouro Direto e das ações, muitos dos melhores investimentos oferecidos no mercado financeiro só são oferecidos quando você dispõe de um capital mínimo considerável para investir, capital mínimo esse que pode variar de R$ 20 mil a R$ 300 mil.

Logo, assumir o compromisso de investir 100% das receitas salariais extras, mencionado no item anterior, lhe dará maior poder de fogo para garantir o acesso a investimentos mais baratos e mais rentáveis.

Você provavelmente já deve ter olhado a lista de fundos referenciados DI de seu banco (BB, Bradesco, Itaú, Santander), e observado que os fundos com menores taxas de administração são aqueles que exigem a maior quantia inicial de dinheiro para investimentos.

Esse mesmo fenômeno se observa em vários dos investimentos oferecidos no mercado: fundos multimercado, fundos de previdência complementar, CDBs, LCAs, LCIs… Para acessar os produtos que têm a menor taxa de administração, ou o maior percentual remuneratório, não tem jeito: sem uma quantia inicial mínima geralmente alta, não se consegue sequer entrar no investimento.

Se você, a partir do cumprimento das metas de 2017, já conseguiu fazer progredir seu capital financeiro, estabeleça, para 2018, continuar evoluindo nesse alvo, de forma a conseguir ter dinheiro suficiente para alocar seu capital em produtos ainda mais baratos, com melhores taxas remuneratórias e/ou com taxas de administração mais reduzidas.

  1. Ajude mais a quem de fato precisa

Ter mais dinheiro não significa a possibilidade de ter mais bem-estar próprio: significa também a possibilidade de multiplicar sua solidariedade a quem de fato precisa.

É vital a importância de sermos solidários e prestativos a quem nunca terá condições de nos retribuir, e reforço aqui as reflexões: se você chegou até aqui, foi porque, durante sua jornada rumo ao sucesso, encontrou pessoas dispostas a oferecer sua inteligência, seu tempo e sua energia para lhe ajudarem. Ninguém nunca cresce sozinho.

Portanto, nada mais natural, e nada mais justo, do que retribuir, e de devolver à sociedade um pouco do que essa mesma sociedade lhe deu, na pavimentação de sua jornada de sucesso.

Conclusão

Planejamento financeiro tem tudo a ver com visão: enxergar as coisas apenas com o cérebro, antes delas se materializarem no mundo físico.

Determinar metas factíveis de serem cumpridas em 2018, com base em tudo o que você realizou em 2017, é essencial para que suas finanças continuem em franca evolução.

Você colhe exatamente aquilo que você planta. Se você plantou, em janeiro de 2017, as sementes do controle de gastos, aprendizagem financeira contínua, aprimoramento na seleção de investimentos, e ampliação na capacidade dos aportes, você certamente, a essa altura do campeonato, já está colhendo os frutos do exercício dessas virtudes.

E esses frutos se manifestam em resultados como: aumento da reserva de emergências, melhora na rentabilidade de seus investimentos, gastos menores do que no mesmo período do ano passado, patrimônio financeiro crescente, menos estoque de parcelas nos cartões de crédito, e assim por diante. Viu como vale a pena programar metas e efetivamente cumpri-las?

 Bem-estar financeiro é algo que não pode ser “deixado para depois”, uma vez que o futuro nada mais é do que a soma de pequenos “presentes” que foram acontecendo no transcurso de cada ano que se passou.

Daí a importância de você usar sua inteligência para aprimorar sua capacidade de cuidar bem das suas finanças. Quanto mais planejados forem seus atos, melhores serão os resultados a serem produzidos.

Forte Abraço

 

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